sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O ÊXTASE DE SANTA TEREZA.





Via um anjo perto de mim […] sob forma corporal, o que não costumo ver senão muito raramente.[…] nesta visão o Senhor quis que assim o visse: não era grande, senão pequeno, formosíssimo, o rosto tão incendido, que deveria ser dos anjos que servem muito próximos de Deus, que parecem abrasar-se todos. […] Via-lhe nas mãos um comprido dardo de ouro. Na ponta de ferro julguei haver um pouco de fogo. Parecia algumas vezes metê-lo pelo meu coração a dentro, de modo que chegava às entranhas. Ao tirá-lo tinha eu a impressão de que as levava consigo, deixando-me toda abrasada em grande amor de Deus. Era tão intensa a dor, que me fazia dar os gemidos de que falei. Essa dor imensa produz tão excessiva suavidade que não se deseja o seu fim, nem a alma se contenta com menos do que com Deus. Não é dor corporal senão espiritual, ainda que o corpo não deixe de ter sua parte, e até bem grande. É um trato de amor tão suave entre a alma e Deus, que suplico à sua Bondade o dê a provar a quem pensar que minto (TERESA DE JESUS, 1983, p. 236).

REFERÊNCIA:
TERESA DE JESUS, Santa. Livro da Vida. 6. ed. São Paulo: Paulus, 1983.
LACAN,

sábado, 1 de janeiro de 2011

QUEM, NO SEIO...


Estoura, osso miserável de cão. A gente sabe muito bem que teu pensamento não está concluído, terminado, e que em qualquer sentido que te voltares ainda não começaste a pensar.
Pouco importa. - O medo que se abate sobre ti te esquarteja à medida mesmo do impossível, pois bem sabes que deves passar deste outro lado para o qual nada em ti está pronto, nem mesmo este corpo, e sobretudo este corpo, que deixarás sem esquecer nem a matéria, nem a espessura, nem a impossível asfixia.
E será de fato como num mau sonho onde tu estás fora da situação de teu corpo, tendo-o arrastado até lá apesar detudo e ele te fazendo sofrer e te iluminando com suas ensurdecedoras impressões, onde a extensão é sempre menor ou maior que tu, onde nada no sentimento que trazes de uma antiga orientação terrestre pode mais ser satisfeito.
E é bem isso, e é para sempre isso. O sentimento desta desolação e deste mal-estar inominável, qual grito, digno do ladrar de um cão num sonho, te arrepia a pele, te revira a garganta, no extravio de um afogamento insensato. Não, isto não é verdade. Não é verdade.
Mas o pior é que é verdade. E ao mesmo tempo que este sentimento de veracidade desesperadora onde te parece que vais morrer de novo, que vais morrer pela segunda vez (To o dizes a ti mesmo, tu o pronuncias, que tu vais morrer. Tu vais morrer: Eu vou morrer pela segunda vez.), eis que não se sabe qual umidade de uma água de ferro ou de pedra ou de vento te refrescou incrivelmente e te alivia o pensamento, e tu mesmo corres, tu te fazes ao correr para a tua morte, para o teu novo estado de morte. Esta água que corre é a morte, e a partir do momento em que tu te contemplas com paz, que registras tuas novas sensações, é que a grande identificação começa. Tu estavas morto e eis que de novo tu te encontras vivo - SÓ QUE DESTA VEZ TU ESTÁS SÓ.

Trecho do texto de Antonin Artaud "QUEM, NO SEIO...". Tirado do livro: Linguagem e vida. São Paulo: Perspectiva, 2004. p.214.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

WORKSHOP TEÓRICO-VIVENCIAL EM PERFORMANCE ART/ SESC-CENTRO/ARACAJU-SE . EM NOV. E DEZ /2010.



MINISTRANTE: ISABELLA SANTANA

Formação Acadêmica/Titulação

2007 - 2009 Mestrado em Artes Visuais.

Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Campinas, Brasil.

Dissertação: Campos do terror contemporâneo (res)significados no topos da performance art, Ano de obtenção: 2009.

Orientador: Arthur Hunold Lara.

2001 - 2006 Graduação em Artes Visuais Licenciatura.

Universidade Federal de Sergipe, UFS, São Cristovão, Brasil.

Monografia: Grupo Neo-mutismo: considerações e apontamentos sobre experiências performáticas realizadas na cidade de Aracaju em 2005.

Orientador: Rogério da Silva Oliveira.


CARGA HORÁRIA: 20 HS

EMENTA

A arte da performance, ou performance art, é uma linguagem artística híbrida, singular, que está na fronteira e abarca diversas formas de expressão artística, dentre as quais destacamos: artes visuais ou plásticas, dança, teatro, literatura, música. Sendo assim, a arte da performance, é o que podemos chamar de não-lugar, é a fronteira, o mixed-media (mistura de diversas formas de expressão artística).

A performance art, forma de expressão contracultural que eclode em meados dos anos 1960 quando artistas plásticos, dentre os quais destacamos, o estadunidense Allan Kaprow, o alemão Joseph Beuys, o grupo Fluxus, a sérvia Marina Abramovic, entre muitos outros, resolvem aproximar a arte à vida e, à gestos e a elementos ordinários do cotidiano. A performance art tem suas origens, de acordo com a atual pesquisadora da Universidade de Nova York, RoseLee Goldberg, nos movimentos de vanguarda do início do século XX (Futurismo, Construtivismo Russo, Dadaísmo, Surrealismo, Bauhaus).

A cada dia a arte da performance tem se constituído como forma de expressão artística, o número de artistas performáticos e os festivais em torno da performance é crescente no mundo. Ao encararmos a arte enquanto função social, nos apropriamos do conceito estrutural “Denken ist Plastik” (Pensar é Esculpir), difundido pelo artista performático Joseph Beuys, em que através do pensamento, materializamos e transformamos algo, a partir da ação, tornando-nos desta forma, num homem de ação. Além disso, o teórico da performance, o diretor teatral Richard Schechner, nos dá uma visão mais antropológica do tema, relacionando a performance ao seu aspecto ritual e xamânico, que também nos é muito relevante para este workshop, por lidar com temas ligados à catarse, à cura, à transmutação, à transcendência e à imanência. Do ritual ao espetacular, da arte engajada à cultura de massa, a performance abarca diversos setores das estruturas sociais e culturais, incluindo-se as artes, a política, os meios de comunicação de massa, e por isso, a importância em estudá-la.

Este workshop, trata-se de um pequeno laboratório de pesquisa, uma iniciação teórico-vivencial, em torno da arte da performance. É aberto a todos os interessados em ter um contato não só com a teoria, assim como também, com a prática, desta forma de expressão artística.

CRONOGRAMA

26/11/2010 (sexta-feira) das 19:00 hs às 22:00 hs (Abertura com palestra em formato de open space e, panorama de mostra de vídeos e fotografias de artistas performáticos).

Temas da palestra:

1. A arte da Performance (do Futurismo ao Presente), estudo de RoseLee Goldberg.

2. Observações sobre o estudo antropológico da performance realizado pelo pesquisador Richard Schechner.

3. A performance art como fronteira, como não-lugar.

4. O gesto inacabado da arte processual.

5. Considerações sobre a formação do coletivo de pesquisa prática-teórica de happenings e performances, Neo-mutismo, formado na Universidade Federal de Sergipe em 2005, pelo professor Rogério da Silva (in memorian), e pelos estudantes da UFS, Isabella Santana (Artes Visuais) e Pablo Giocondo (Filosofia).

27/11/2010 (sábado)

09:00 hs às 13:00 hs

. Exploração de reconhecimento da anatomia do corpo através de exercícios físicos.

14:00 hs às 18:00 hs

. Exploração do corpo como fronteira através de exercícios físicos.

04/12/2010 (sábado)

9:00 hs às 13:00 hs

. Propor tasks (tarefas) a serem resolvidas pelos vivenciadores-receptores da ação.

. Preparação da vivência artística no SESC-centro.

14:00 hs às 18:00 hs

. Vivência artística a ser apresentada em espaço público.


INVESTIMENTO: R$ 20,00

INFORMAÇÕES:

CENTRAL DE ATENDIMENTO DO SESC: (79) 3216 2727

WWW.SESC-SE.COM.BR


CONTATOS: email:isabellaoliv@hotmail.com/ celular: (79) 9961 2444


BIBLIOGRAFIA DO WORKSHOP:

AUSLANDER, Philip. From Acting to Performance – Essays in Modernism and Postmodernism. London: Routledge, 1997.

BORER, Alain. Joseph Beuys. Trad. Betina Bischot e Nicolás Campanário. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

CARLSON, Marvin. Performance – A critical introduction. New York: Routledge, 2ed, 2004.

COHEN, Renato. Performance como linguagem. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002.

COTRIM, Cecilia; FERREIRA, Gloria (Orgs.). Escritos de artistas – anos 60/70. Rio de Janeiro-RJ: Zahar, 2006.

COUNSELL, Colin. WOLF, Laurie. Performance Analysis – An introductory coursebook. London: Routledge, 2001.

GLUSBERG, Jorge. A arte da Performance. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.

GREINER, Christine. O Corpo: pistas para estudos indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2005.

GOLDBERG, RoseLee. A arte da performance: do futurismo ao presente. Trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

KAPROW, Allan. Essays on the blurring of art and life. Edited by Jeff Kelley. California, 1993.

SCHECHNER, Richard. Environmental Theater. Nova York: Hal Leonard Books, 1994.

____________. Performance Studies – An Introduction. Nova York: Routledge, 2ed. 2006.

____________. Performance Theory. Nova York: Routledge, expanded edition, 1988.

ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. Trad. Jerusa Pires e Suely Fenerich. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

AUGÉ, Marc. Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Trad. Maria Lúcia Pereira. Campinas, SP: Pairus, 1994.

CABANE, Pierre. Marcel Duchamp: Engenheiro do Tempo Perdido. Trad. Paulo José Amaral. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.

DELEUZE, Gilles. GUATARRI, Félix. Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia, Vol. 3. Trad. Aurélio Guerra Neto. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.

DERRIDA, Jacques. BERGSTEIN, Lena. Enlouquecer o subjétil. Trad. Geraldo Gerson de Souza. São Paulo: Unesp, 1998.

FARIAS, Agnaldo. Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.

HOLBEIN, Hans. The Dance of Death. Nova York: Dover Publications, 1971.

LAURENTIZ, Paulo. A Holarquia do Pensamento Artístico. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1991.

MILLIET, Maria Alice. Lygia Clark – Obra Trajeto. São Paulo: Edusp, 1997.

MORAIS, Frederico. Contra a arte afluente: o corpo é o motor da “obra”. In: Arte contemporânea brasileira: textura, dicções, ficções estratégias. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001. P. 169-178.

PERNIOLA, Mario. Pensando o ritual: sexualidade, morte, mundo. Trad. Maria do Rosário Toschi. São Paulo: Studio Nobel, 2000.

SALLES, Cecilia Almeida. Gesto inacabado – processo de criação artística. São Paulo: Annablume, 2. Ed, 2004.

SALOMÃO, Waly. Hélio Oiticica: Qual é o parangolé? e outros escritos. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Nunca fomos humanos – nos rastros do sujeito. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.

VESALIUS, Andreas. De humani corporis fabrica. Epitome. Tabulae sex. Trad. Pedro Carlos Piantino Lemos, Maria Cristina Vilhena Carnevale. São Paulo: Ateliê Editorial; Editora Unicamp, 2002.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Todos os presos livres!

"Neste diário não quero dissimular as outras razões que fizeram de mim um ladrão, a mais simples sendo a necessidade de comer; todavia, em minha escolha jamais entraram a revolta, a amargura, a raiva ou qualquer sentimento desse tipo. Com um cuidado maníaco, "um cuidado ciumento", preparei a minha aventura como se arruma uma cama, um quarto para o amor: eu tive tesão pelo crime" (Jean Genet).
GENET, Jean. Diário de um ladrão. Tradução: Jacqueline Laurence e Roberto Lacerda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Rogério da Silva (* 28/01/1975 + 07/02/2007)


Obra do artista plástico e performer paulsitano Rogério da Silva (in memorian).

domingo, 12 de outubro de 2008

Proposta de Ação coletiva realizada no II Congresso da ABRACE



Proposta de Ação Coletiva realizada na II Reunião Científica da Abrace (Associação Brasileira de pesquisa e pós-graduação das cênicas), em formato de open-space, no dia 22/08/2008 no departamento de cênicas da Universidade Estadual de Campinas.

domingo, 6 de julho de 2008

O grotesco!


"O grotesco lida apenas com os olhos esbugalhados (...) assim como se interessa por tudo que salta fora, que sobressai e aflora do corpo, tudo aquilo que tenta escapar dos limites do corpo. No grotesco, adquirem um significado particular todas as excrescências e ramificações, tudo aquilo que prolonga o corpo, unindo-o aos outros corpos ou ao mundo corpóreo (...). Para o grotesco, porém, a parte mais importante do rosto é a boca. Ela domina. Um rosto grotesco se reduz, em substância, a uma boca escancarada e todo resto serve tão somente de moldura para essa boca, para este abismo corpóreo que se escancara e engole".

CF. ECO, Umberto. História da feiúra. Trad. Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Record, 2007. (BAKHTIN, M., 1979 apud ECO, 2007, p. 147).