COMO NUM ANEL DE MOEBIUS, A VIDA SE DESDOBRA EM ARTE, NUM PROCESSO INCESSANTE DE RETROALIMENTAÇÃO.UMA OBRA DE ARTE TEM QUE SER ASSIM: TER O PESO DE UMA EXISTÊNCIA!
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Via um anjo perto de mim […] sob forma corporal, o que não costumo ver senão muito raramente.[…] nesta visão o Senhor quis que assim o visse: não era grande, senão pequeno, formosíssimo, o rosto tão incendido, que deveria ser dos anjos que servem muito próximos de Deus, que parecem abrasar-se todos. […] Via-lhe nas mãos um comprido dardo de ouro. Na ponta de ferro julguei haver um pouco de fogo. Parecia algumas vezes metê-lo pelo meu coração a dentro, de modo que chegava às entranhas. Ao tirá-lo tinha eu a impressão de que as levava consigo, deixando-me toda abrasada em grande amor de Deus. Era tão intensa a dor, que me fazia dar os gemidos de que falei. Essa dor imensa produz tão excessiva suavidade que não se deseja o seu fim, nem a alma se contenta com menos do que com Deus. Não é dor corporal senão espiritual, ainda que o corpo não deixe de ter sua parte, e até bem grande. É um trato de amor tão suave entre a alma e Deus, que suplico à sua Bondade o dê a provar a quem pensar que minto (TERESA DE JESUS, 1983, p. 236).
REFERÊNCIA:
TERESA DE JESUS, Santa. Livro da Vida. 6. ed. São Paulo: Paulus, 1983.
LACAN,
Estoura, osso miserável de cão. A gente sabe muito bem que teu pensamento não está concluído, terminado, e que em qualquer sentido que te voltares ainda não começaste a pensar. Pouco importa. - O medo que se abate sobre ti te esquarteja à medida mesmo do impossível, pois bem sabes que deves passar deste outro lado para o qual nada em ti está pronto, nem mesmo este corpo, e sobretudo este corpo, que deixarás sem esquecer nem a matéria, nem a espessura, nem a impossível asfixia. E será de fato como num mau sonho onde tu estás fora da situação de teu corpo, tendo-o arrastado até lá apesar detudo e ele te fazendo sofrer e te iluminando com suas ensurdecedoras impressões, onde a extensão é sempre menor ou maior que tu, onde nada no sentimento que trazes de uma antiga orientação terrestre pode mais ser satisfeito. E é bem isso, e é para sempre isso. O sentimento desta desolação e deste mal-estar inominável, qual grito, digno do ladrar de um cão num sonho, te arrepia a pele, te revira a garganta, no extravio de um afogamento insensato. Não, isto não é verdade. Não é verdade. Mas o pior é que é verdade. E ao mesmo tempo que este sentimento de veracidade desesperadora onde te parece que vais morrer de novo, que vais morrer pela segunda vez (To o dizes a ti mesmo, tu o pronuncias, que tu vais morrer. Tu vais morrer: Eu vou morrer pela segunda vez.), eis que não se sabe qual umidade de uma água de ferro ou de pedra ou de vento te refrescou incrivelmente e te alivia o pensamento, e tu mesmo corres, tu te fazes ao correr para a tua morte, para o teu novo estado de morte. Esta água que corre é a morte, e a partir do momento em que tu te contemplas com paz, que registras tuas novas sensações, é que a grande identificação começa. Tu estavas morto e eis que de novo tu te encontras vivo - SÓ QUE DESTA VEZ TU ESTÁS SÓ.
Trecho do texto de Antonin Artaud "QUEM, NO SEIO...". Tirado do livro: Linguagem e vida. São Paulo: Perspectiva, 2004. p.214.
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Campinas, Brasil.
Dissertação: Campos do terror contemporâneo (res)significados no topos da performance art, Ano de obtenção: 2009.
Orientador: Arthur Hunold Lara.
2001 - 2006 Graduação em Artes Visuais Licenciatura.
Universidade Federal de Sergipe, UFS, São Cristovão, Brasil.
Monografia: Grupo Neo-mutismo: considerações e apontamentos sobre experiências performáticas realizadas na cidade de Aracaju em 2005.
Orientador: Rogério da Silva Oliveira.
CARGA HORÁRIA: 20 HS
EMENTA
A arte da performance, ou performance art, é uma linguagem artística híbrida, singular, que está na fronteira e abarca diversas formas de expressão artística, dentre as quais destacamos: artes visuais ou plásticas, dança, teatro, literatura, música. Sendo assim, a arte da performance, é o que podemos chamar de não-lugar, é a fronteira, o mixed-media (mistura de diversas formas de expressão artística).
A performanceart, forma de expressão contracultural que eclode em meados dos anos 1960 quando artistas plásticos, dentre os quais destacamos, o estadunidense Allan Kaprow, o alemão Joseph Beuys, o grupo Fluxus, a sérvia Marina Abramovic, entre muitos outros, resolvem aproximar a arte à vida e, à gestos e a elementos ordinários do cotidiano. A performance art tem suas origens, de acordo com a atual pesquisadora da Universidade de Nova York, RoseLee Goldberg, nos movimentos de vanguarda do início do século XX (Futurismo, Construtivismo Russo, Dadaísmo, Surrealismo, Bauhaus).
A cada dia a arte da performance tem se constituído como forma de expressão artística, o número de artistas performáticos e os festivais em torno da performance é crescente no mundo. Ao encararmos a arte enquanto função social, nos apropriamos do conceito estrutural “Denken ist Plastik” (Pensar é Esculpir), difundido pelo artista performático Joseph Beuys, em que através do pensamento, materializamos e transformamos algo, a partir da ação, tornando-nos desta forma, num homem de ação. Além disso, o teórico da performance, o diretor teatral Richard Schechner, nos dá uma visão mais antropológica do tema, relacionando a performance ao seu aspecto ritual e xamânico, que também nos é muito relevante para este workshop, por lidar com temas ligados à catarse, à cura, à transmutação, à transcendência e à imanência. Do ritual ao espetacular, da arte engajada à cultura de massa, a performance abarca diversos setores das estruturas sociais e culturais, incluindo-se as artes, a política, os meios de comunicação de massa, e por isso, a importância em estudá-la.
Este workshop, trata-se de um pequeno laboratório de pesquisa, uma iniciação teórico-vivencial, em torno da arte da performance. É aberto a todos os interessados em ter um contato não só com a teoria, assim como também, com a prática, desta forma de expressão artística.
CRONOGRAMA
26/11/2010 (sexta-feira) das 19:00 hs às 22:00 hs(Abertura com palestra em formato de open space e, panorama de mostra de vídeos e fotografias de artistas performáticos).
Temas da palestra:
1.A arte da Performance (do Futurismo ao Presente), estudo de RoseLee Goldberg.
2.Observações sobre o estudo antropológico da performance realizado pelo pesquisador Richard Schechner.
3.A performance art como fronteira, como não-lugar.
4.O gesto inacabado da arte processual.
5.Considerações sobre a formação do coletivo de pesquisa prática-teórica de happenings e performances, Neo-mutismo, formado na Universidade Federal de Sergipe em 2005, pelo professor Rogério da Silva (in memorian), e pelos estudantes da UFS, Isabella Santana (Artes Visuais) e Pablo Giocondo (Filosofia).
27/11/2010 (sábado)
09:00 hs às 13:00 hs
. Exploração de reconhecimento da anatomia do corpo através de exercícios físicos.
14:00 hs às 18:00 hs
. Exploração do corpo como fronteira através de exercícios físicos.
04/12/2010 (sábado)
9:00 hs às 13:00 hs
. Propor tasks (tarefas) a serem resolvidas pelos vivenciadores-receptores da ação.
. Preparação da vivência artística no SESC-centro.
14:00 hs às 18:00 hs
. Vivência artística a ser apresentada em espaço público.
GLUSBERG, Jorge. A arte da Performance. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.
GREINER, Christine. O Corpo: pistas para estudos indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2005.
GOLDBERG, RoseLee. A arte da performance: do futurismo ao presente. Trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
KAPROW, Allan. Essays on the blurring of art and life. Edited by Jeff Kelley. California, 1993.
SCHECHNER, Richard. Environmental Theater. Nova York: Hal Leonard Books, 1994.
____________. Performance Studies – An Introduction. Nova York: Routledge, 2ed. 2006.
____________. Performance Theory. Nova York: Routledge, expanded edition, 1988.
ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. Trad. Jerusa Pires e Suely Fenerich. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
AUGÉ, Marc. Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Trad. Maria Lúcia Pereira. Campinas, SP: Pairus, 1994.
CABANE, Pierre. Marcel Duchamp: Engenheiro do Tempo Perdido. Trad. Paulo José Amaral. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.
DELEUZE, Gilles. GUATARRI, Félix. Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia, Vol. 3. Trad. Aurélio Guerra Neto. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.
DERRIDA, Jacques. BERGSTEIN, Lena. Enlouquecer o subjétil. Trad. Geraldo Gerson de Souza. São Paulo: Unesp, 1998.
FARIAS, Agnaldo. Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
HOLBEIN, Hans. The Dance of Death. Nova York: Dover Publications, 1971.
LAURENTIZ, Paulo. A Holarquia do Pensamento Artístico. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1991.
MILLIET, Maria Alice. Lygia Clark – Obra Trajeto. São Paulo: Edusp, 1997.
MORAIS, Frederico. Contra a arte afluente: o corpo é o motor da “obra”. In: Arte contemporânea brasileira: textura, dicções, ficções estratégias. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001. P. 169-178.
PERNIOLA, Mario. Pensando o ritual: sexualidade, morte, mundo. Trad. Maria do Rosário Toschi. São Paulo: Studio Nobel, 2000.
SALLES, Cecilia Almeida. Gesto inacabado – processo de criação artística. São Paulo: Annablume, 2. Ed, 2004.
SALOMÃO, Waly. Hélio Oiticica: Qual é o parangolé? e outros escritos. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Nunca fomos humanos – nos rastros do sujeito. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.
VESALIUS, Andreas. De humani corporis fabrica. Epitome. Tabulae sex. Trad. Pedro Carlos Piantino Lemos, Maria Cristina Vilhena Carnevale. São Paulo: Ateliê Editorial; Editora Unicamp, 2002.
"Neste diário não quero dissimular as outras razões que fizeram de mim um ladrão, a mais simples sendo a necessidade de comer; todavia, em minha escolha jamais entraram a revolta, a amargura, a raiva ou qualquer sentimento desse tipo. Com um cuidado maníaco, "um cuidado ciumento", preparei a minha aventura como se arruma uma cama, um quarto para o amor: eu tive tesão pelo crime" (Jean Genet).
GENET, Jean. Diário de um ladrão. Tradução: Jacqueline Laurence e Roberto Lacerda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.
Proposta de Ação Coletiva realizada na II Reunião Científica da Abrace (Associação Brasileira de pesquisa e pós-graduação das cênicas), em formato de open-space, no dia 22/08/2008 no departamento de cênicas da Universidade Estadual de Campinas.
"O grotesco lida apenas com os olhos esbugalhados (...) assim como se interessa por tudo que salta fora, que sobressai e aflora do corpo, tudo aquilo que tenta escapar dos limites do corpo. No grotesco, adquirem um significado particular todas as excrescências e ramificações, tudo aquilo que prolonga o corpo, unindo-o aos outros corpos ou ao mundo corpóreo (...). Para o grotesco, porém, a parte mais importante do rosto é a boca. Ela domina. Um rosto grotesco se reduz, em substância, a uma boca escancarada e todo resto serve tão somente de moldura para essa boca, para este abismo corpóreo que se escancara e engole".
CF. ECO, Umberto. História da feiúra. Trad. Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Record, 2007. (BAKHTIN, M., 1979 apud ECO, 2007, p. 147).